O Che Guevara e o rugby


Poucos negariam que houve uma revolução no rugby da Argentina. O 3° lugar na Copa de 2007 e o Three Nations a partir de 2012 marcam um momento histórico no rugby dos hermanos. Mas o que pode ser uma surpresa para alguns, é descobrir que o revolucionário mais célebre de todos os tempos era um entusiasta do rugby. Sim, o Che Guevara foi rugbier.
O espírito de Guevara apareceu claramente no seu rugby. Ele foi um obstinado jogador e um dos primeiros jornalistas de rugby no país.
Agustín Pichot, capitão argentino em 2007 disse: “Ele era um homem do rugby argentino e estamos orgulhosos de contar com ele entre nossos antecessores. Gosto de pensar que ele iria desfrutar os progressos que nos fizemos".
Portador de asma crônico desde o seu nascimento, o seu pai o enviou para Córdoba aos 14 anos, em 1942. Local de ar puro e de clima fresco para tratar da doença, e onde acabaria sendo mordido pelo “bichinho do rugby”. Jogou no Estudiantes de Córdoba, formado a partir do Tala RC, e seu pai ficou alarmado. Tentou fazer ele desistir, mas o espírito combativo do seu filho falou mais alto: "Velho, eu amo o rugby. E mesmo que ele me mate um dia, vou continuar jogando." O seu apelido tal vez faça entendível a preocupação do seu pai: “Fuser” mistura de furibundo (furioso) Serna (seu segundo sobrenome).
Durante as partidas um amigo corria desesperadamente ao lado do campo e lhe aproximava a bomba para fazer suas inalações. Lembremos que naquela época não eram permitidas as substituições.


Após a escola secundária veio a mudança para Buenos Aires, onde ele estudou medicina.
Jogou em San Isidro ou SIC, Atalaya Polo Club, e Ypora. Sua paixão pelo rugby era tamanha que fundou uma revista de rugby, chamada Tackle. Assinava os artigos com o apelido de “Chang-Cho”.
A revista semanal durou apenas três meses, entre Maio e julho de 1951 e hoje são raros os exemplares nas casas de antiguidades. Numa editorial o Che comentou “Aprendemos muito com os times franceses e ingleses que nos visitam... não podemos pretender ter um campo de rugby em cada cidade, mas sim clubes que se dediquem exclusivamente ao rugby”.
Foram apenas 11 edições publicadas, mas lhe renderam o passaporte para cobrir os II Jogos Panamericanos de 1955 no México, para a agencia de noticias América Latina.

Outra característica do Che rugbier foi o seu capacete. Algo incomum para um back naqueles dias, o Che usava um scrumcap. Mesmo combatentes da guerrilha tem suas vaidades.


Mais tarde Guevara partiu para descobrir o mundo -um mundo que acabou querendo mudar – com o seu companheiro de rugby e da medicina, Alberto Granado em uma motocicleta Norton 500cc de 1939, chamada La Poderosa.
Com o tempo, Ernesto falaria para o seu pai que foi graças ao rugby que ele conseguiu enfrentar os momentos mais difíceis em Sierra Maestra (centro de operações da guerrilha na revolução).
Curiosamente o link de rugby perdurou. Granado, um eminente bioquímico e exímio meio scrum, foi declarado padrinho do Rugby cubano. Sendo o impulsor da associação cubana criada em 1996.

O Che Guevara foi um confesso amante do rugby. A revolução que ele defendia, nas suas paginas da Tackle, viraram realidade na Argentina. Já a sua revolução por um mundo melhor ficou inconclusa, mas o rugby, a traves dos seus valores próprios, continua lutando por formar cidadãos do bem.

Fonte:http://www.telegraph.co.uk
Acessado em 12.03.2011